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POEMA - O LOBO GUARÁ

 

O LOBO GUARÁ

Enfim o lobo guará

Tomou conta do real,

Na cédula de duzentos,

Para nós, nada de mal;

Veio iludir mais o bolso,

Fingindo trazer reforço

Para o frágil capital.

 

Ele se encontra na lista

Dos propensos a sumir

Desta fauna brasileira;

Caníveo desde o latir;

De cor preta quando nasce;

Não se esconde no disfarce,

Porque só sabe é latir.

 

De guará só tem a cor,

Um tom quase avermelhado;

Vive em média cinco anos,

Transitando no cerrado;

Ele gosta de caçar

Na hora crepuscular,

Solitário ou acompanhado.

 

 

Ele tem, em seu cardápio,

Só roedores e frutas;

Não ataca o ser humano;

Não é uma espécie bruta;

Conhece bem a savana;

Outro bicho não lhe engana

Por ser ligeiro na luta.

 

Nada tem de lobo mau;

É da raça do canino;

Patas longas, bons ouvidos;

Sempre esperto, faro fino;

Tem de três a quatro filhos;

Não é do homem empecilho

Por não ser nenhum felino.

 

Descobriram seu valor

Lá na Casa da Moeda;

Tomara que a inflação

Não lhe dê bastante queda;

Esse lobo só faz bem,

Ainda mais ao que não tem

Igual sorte de quem herda.


Autor: Paulo Oliveira

POEMA - A BORDO DESTE BRASIL




Companheiros de viagem,
A bordo deste Brasil,
Estamos em alto-mar,
Escondidos num navio
Abalados por tormentas,
Onde o fraco não aguenta
Por ver o que jamais viu.

Nós já vimos tubarões
E outras feras conhecidas,
Mas não o coronavírus
De feição desconhecida,
Nem por meio de aparelho
Ou com ajuda de espelho,
Ninguém o vê nesta vida.

Ele causa seus efeitos
Após testes positivos,
Derrubando os mais idosos,
Com métodos tão nocivos;
No meio da tempestade
Por qualquer lado ele invade
Para matar sem motivo.

Até bravos corajosos
Desse dragão sentem medo;
Pelo mundo faz estrago,
Forçando dormir mais cedo;
Tanto no mar, no ar, na terra,
Parece tempo de guerra
Ou um samba sem enredo.

Ele prefere a quem viaja
Pelo céu do exterior;
Não dispensa autoridade,
Quem se julga de valor;
Apavora qualquer um;
Desses humanos, nenhum
Pode cantar seu louvor.

Acabou-se a vaidade,
Arrogância e preconceito;
Ninguém é mais que ninguém,
Todo mundo é imperfeito,
Ao chegarmos lá no porto,
Vamos ver quantos tem mortos
E entrega-los ao Perfeito.


Autor: Paulo Oliveira

Paulíver - Respirando meus Versos...

Extraído do livro Respirando meus Versos - 
primeiro livro de Paulo Oliveira (Paulíver), publicado em 1973.

LIVRO: HERÓIS DA TRAVESSIA

Extraído de: Associação do Ministério Público do Maranhão - 28 de Outubro de 2012

Dr. Paulo Oliveira lança mais uma obra literária: Heróis da Travessia

          Lançado no último dia 19/10, na Pizzaria Internacional, na COHAMA, mais uma obra literária de nosso associado Dr. Paulo Oliveira, o Livro Heróis da Travessia, que trás histórias e emoções dos que faziam a travessia marítima entre São Luís e Guimarães.
          A AMPEM parabeniza o Dr. Paulo Oliveira, que é autor de mais de 15 obras literárias com destaque para São Luís de forma engraçada (2011) e Guimarães na história do Maranhão (1984), pela constante produção no âmbito literário.