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POEMA - O LIVRO

 

O LIVRO

 

Será se tem neste mundo

Algo melhor que o livro,

Para alimentar o cérebro,

Um fator bem nutritivo

Em relação ao saber,

Buscando sempre querer

O que precisa está vivo?

 

Vale muito a experiência

Por este planeta a fora,

Mas, as letras e as palavras

Socorrem a quem ignora

A importância da cultura,

No ego da criatura,

Que sorri e às vezes chora.

 

Todo livro é majestoso,

Qualquer que seja o cenário;

Parece tela de filme

Que fica no imaginário,

Pedindo a repetição

Nas asas do coração,

No bem estar do usuário.

 

 O livro contém valores

Benéficos e específicos,

Contem vida, sangue e luz,

Às vezes, amores líricos,

Levantamentos históricos,

Espetáculos eufóricos

E momentos magníficos.

 

Ora contém alegria

Ou sorriso escancarado,

Ora tem revelação

Ou segredo destrinchado;

Apesar de ser papel,

Ele mostra até o céu,

Quando alguém é batizado.

 

Ele é uma imponência,

Uma pedra preciosa;

Qualquer outra não o iguala;

Vale mais do que mil rosas;

Supera qualquer potência;

É um rei por excelência,

É o mudo que mais prosa.

POEMA - AS MÃOS

 AS MÃOS

Nossos dois membros, as mãos,

São deveras relevantes

Não só para nosso corpo,

Movendo-se a cada instante,

Assim como a própria vida,

Pois, estão comprometidas

Com manejos incessantes.

 

São elas que nos recebem

Ao chegarmos neste mundo,

Pelas mãos abençoadas,

Frutos de um amor profundo,

De nossa mãe e outros entes,

Com cuidado intermitente,

Que não cessa um segundo.

 

Assim, as mãos se norteiam,

Aprendendo a comer,

Dona de si como adulta,

Lutando para aprender

O manejo do trabalho,

Onde até o quebra-galho

Nossas mãos têm de saber.

 

Nesse belo aprendizado

Todas as mãos se exercitam

Com ajuda dos dedinhos

Que tocam, saúdam, palpitam;

Sinalizam para os mudos,

Que também são sempre surdos

E, por isso, nos imitam.

 

As mãos que pegam em armas

E matam seus semelhantes

São as mesmas que, no piano,

Tocam notas deslumbrantes;

Também, as que acariciam,

São as mesmas que arrepiam,

Dando tapas tão chocantes.

 

As mãos servem para tudo;

Para conferir dinheiro,

Para dar aquele adeus

Àquele amor passageiro

Que, de longe, dar a mão

Ao choroso coração,

Que fica sem paradeiro.

Autor: Paulo Oliveira

POEMA - O LOBO GUARÁ

 

O LOBO GUARÁ

Enfim o lobo guará

Tomou conta do real,

Na cédula de duzentos,

Para nós, nada de mal;

Veio iludir mais o bolso,

Fingindo trazer reforço

Para o frágil capital.

 

Ele se encontra na lista

Dos propensos a sumir

Desta fauna brasileira;

Caníveo desde o latir;

De cor preta quando nasce;

Não se esconde no disfarce,

Porque só sabe é latir.

 

De guará só tem a cor,

Um tom quase avermelhado;

Vive em média cinco anos,

Transitando no cerrado;

Ele gosta de caçar

Na hora crepuscular,

Solitário ou acompanhado.

 

 

Ele tem, em seu cardápio,

Só roedores e frutas;

Não ataca o ser humano;

Não é uma espécie bruta;

Conhece bem a savana;

Outro bicho não lhe engana

Por ser ligeiro na luta.

 

Nada tem de lobo mau;

É da raça do canino;

Patas longas, bons ouvidos;

Sempre esperto, faro fino;

Tem de três a quatro filhos;

Não é do homem empecilho

Por não ser nenhum felino.

 

Descobriram seu valor

Lá na Casa da Moeda;

Tomara que a inflação

Não lhe dê bastante queda;

Esse lobo só faz bem,

Ainda mais ao que não tem

Igual sorte de quem herda.


Autor: Paulo Oliveira

POEMA - A BORDO DESTE BRASIL




Companheiros de viagem,
A bordo deste Brasil,
Estamos em alto-mar,
Escondidos num navio
Abalados por tormentas,
Onde o fraco não aguenta
Por ver o que jamais viu.

Nós já vimos tubarões
E outras feras conhecidas,
Mas não o coronavírus
De feição desconhecida,
Nem por meio de aparelho
Ou com ajuda de espelho,
Ninguém o vê nesta vida.

Ele causa seus efeitos
Após testes positivos,
Derrubando os mais idosos,
Com métodos tão nocivos;
No meio da tempestade
Por qualquer lado ele invade
Para matar sem motivo.

Até bravos corajosos
Desse dragão sentem medo;
Pelo mundo faz estrago,
Forçando dormir mais cedo;
Tanto no mar, no ar, na terra,
Parece tempo de guerra
Ou um samba sem enredo.

Ele prefere a quem viaja
Pelo céu do exterior;
Não dispensa autoridade,
Quem se julga de valor;
Apavora qualquer um;
Desses humanos, nenhum
Pode cantar seu louvor.

Acabou-se a vaidade,
Arrogância e preconceito;
Ninguém é mais que ninguém,
Todo mundo é imperfeito,
Ao chegarmos lá no porto,
Vamos ver quantos tem mortos
E entrega-los ao Perfeito.


Autor: Paulo Oliveira